
Quando o aluno chega ao 6° ano, a gente espera que ele saiba ler e escrever números sem dificuldade. Mas a realidade é bem diferente. Já perdi a conta de quantas vezes precisei parar o conteúdo novo para retomar a leitura de números com mais de quatro algarismos, porque metade da turma não conseguia fazer isso com segurança.
O problema não é falta de inteligência. É falta de prática com números maiores e de entendimento claro sobre como funciona o sistema de numeração decimal. Pensando nisso, montei este material completo com explicações, estratégias para sala de aula e atividades prontas com gabarito, tudo alinhado à BNCC.
Neste material, eu preparei explicações didáticas, métodos práticos de conversão e uma bateria com mais de 15 exercícios variados para que você possa trabalhar com seus alunos. Também temos atividades de conversão de medidas para complementar. Todos os exercícios possuem um gabarito detalhado ao final do artigo.
O que é leitura e escrita de números?
Ler um número é saber falar o nome dele em voz alta. Escrever um número é representá-lo de duas formas: usando algarismos (forma numérica) ou usando palavras (forma por extenso).
Por exemplo, o número 2.458 pode ser lido como “dois mil quatrocentos e cinquenta e oito”. Parece simples, mas quando chegamos em números como 3.042.107 a coisa complica, porque o aluno precisa entender a estrutura por trás da escrita.
Essa estrutura é o sistema de numeração decimal, que organiza os algarismos em ordens e classes. Sem entender isso, a leitura de números grandes vira adivinhação.
Por que esse conteúdo é fundamental no 6° ano?
A leitura e escrita de números aparece na BNCC dentro da habilidade EF06MA01, que prevê que o aluno saiba comparar, ordenar, ler e escrever números naturais e números racionais cuja representação decimal é finita, fazendo uso da reta numérica.
Na prática, se o aluno não domina a leitura e escrita, ele vai travar em praticamente tudo que vem depois: interpretação de problemas, operações com números grandes, leitura de gráficos e tabelas, e até em outras disciplinas como Geografia e Ciências, que usam dados numéricos o tempo todo.
Ordens e classes: a base de tudo
O sistema de numeração decimal agrupa os algarismos de três em três, da direita para a esquerda. Cada grupo de três é chamado de classe, e cada posição dentro da classe é chamada de ordem.
As ordens, da direita para a esquerda, são: unidade, dezena, centena, unidade de milhar, dezena de milhar, centena de milhar, unidade de milhão, dezena de milhão, centena de milhão, e assim por diante.
As classes agrupam essas ordens da seguinte forma: a 1ª classe (classe das unidades simples) reúne unidade, dezena e centena; a 2ª classe (classe dos milhares) reúne unidade de milhar, dezena de milhar e centena de milhar; a 3ª classe (classe dos milhões) reúne unidade de milhão, dezena de milhão e centena de milhão.
Vou usar o número 5.387.214 como exemplo. Separando em classes, temos: 5 (milhões) . 387 (milhares) . 214 (unidades). A leitura fica: cinco milhões trezentos e oitenta e sete mil duzentos e quatorze.
Eu costumo desenhar uma tabela no quadro com as classes e ordens e peço para os alunos encaixarem os algarismos. Funciona muito bem para eles visualizarem a estrutura.
Como ler números grandes: passo a passo
Ler números grandes assusta os alunos, mas com um método simples qualquer um consegue. Eu ensino em três passos.
1° passo: separar o número em classes
Use o ponto para separar os algarismos de três em três, começando pela direita. O número 45230178, por exemplo, fica: 45.230.178.
2° passo: ler cada classe separadamente
Cada classe é lida como se fosse um número de até três algarismos. No exemplo: 45 (quarenta e cinco), 230 (duzentos e trinta), 178 (cento e setenta e oito).
3° passo: adicionar o nome da classe
Depois de ler o grupo de algarismos, acrescente o nome da classe correspondente. Resultado: quarenta e cinco milhões, duzentos e trinta mil, cento e setenta e oito.
Uma dica que passo para os alunos: a última classe (das unidades simples) nunca recebe nome. Você não diz “cento e setenta e oito unidades”. Diz apenas “cento e setenta e oito”.
Cuidados com o zero no meio do número
Os zeros intermediários são o maior causador de erros na leitura e escrita de números. O número 4.007.050, por exemplo, costuma gerar confusão.
A regra é direta: se uma classe inteira for zero, ela não é lida. Se apenas algumas ordens forem zero dentro de uma classe, lemos normalmente o que sobra.
No exemplo 4.007.050: a classe dos milhões tem o 4, então lemos “quatro milhões”. A classe dos milhares tem 007, que é simplesmente 7, então lemos “sete mil”. A classe das unidades tem 050, que é 50, então lemos “cinquenta”. Resultado: quatro milhões sete mil e cinquenta.
Outro exemplo: 300.000. A classe dos milhares tem 300, e a classe das unidades tem 000 (não se lê). Resultado: trezentos mil.
Escrita por extenso: erros mais comuns
Depois de anos corrigindo provas, identifiquei os erros que aparecem com mais frequência na escrita de números por extenso.
O primeiro é escrever “meia” em vez de “seis”. O número 650 é “seiscentos e cinquenta”, não “meiacentos e cinquenta”. Parece engraçado, mas acontece.
O segundo é usar “e” no lugar errado. A regra é: usamos “e” entre centenas e dezenas, entre centenas e unidades, e entre dezenas e unidades. Não usamos “e” entre a classe dos milhares e a das centenas quando não há centena. Por exemplo: 2.035 é “dois mil e trinta e cinco” (porque não há centena na última classe). Já 2.135 é “dois mil cento e trinta e cinco”.
O terceiro erro é a grafia. Muitos alunos escrevem “setecentos” como “cetecentos” ou “quarenta” como “corenta”. Trabalhar a escrita por extenso também é reforçar a ortografia.
Valor posicional: cada algarismo tem seu peso
Um conceito que precisa ficar muito claro para o aluno é que o valor de um algarismo depende da posição que ele ocupa no número. O algarismo 3 no número 5.312 vale 300 (trezentos), mas o mesmo 3 no número 3.512 vale 3.000 (três mil).
Eu gosto de trabalhar isso com a decomposição do número. O número 6.482 pode ser decomposto como: 6.000 + 400 + 80 + 2. Isso mostra que o 6 vale 6 mil, o 4 vale 4 centenas, o 8 vale 8 dezenas e o 2 vale 2 unidades.
A decomposição é uma ferramenta poderosa porque conecta a leitura do número com a compreensão do seu valor real.
5 dicas práticas para aplicar em sala de aula
Ao longo dos anos, testei várias estratégias para ensinar leitura e escrita de números. Separei as cinco que mais funcionam.
1. Quadro de valor posicional. Monte um quadro grande na parede da sala com as classes e ordens. Use cartões com algarismos que os alunos possam encaixar e trocar de posição. Eles entendem muito mais rápido quando manipulam.
2. Ditado de números. Faça um ditado em que você fala o número por extenso e os alunos escrevem a forma numérica, e vice-versa. É rápido, dá para fazer em 10 minutos e treina os dois sentidos da habilidade.
3. Números do cotidiano. Traga recortes de jornal, panfletos de supermercado ou dados do IBGE com números grandes. Peça para os alunos lerem os valores em voz alta. Contextualizar o conteúdo faz toda a diferença.
4. Jogo do número secreto. Escreva um número grande em um papel e dê dicas sobre as ordens: “O algarismo da centena de milhar é 7”, “A dezena vale 40”. Os alunos montam o número aos poucos. É divertido e trabalha o valor posicional.
5. Decomposição como rotina. No início de cada aula, escreva um número no quadro e peça para os alunos decomporem. Em poucas semanas, essa habilidade fica automática.

12 Exercícios de Leitura e Escrita de Números – 6° Ano
Abaixo estão 12 exercícios prontos para usar em sala de aula. As questões estão organizadas em nível crescente de dificuldade, cobrindo escrita por extenso, forma numérica, valor posicional, decomposição e problemas contextualizados. O gabarito está no final do artigo.
1- Escreva os números abaixo por extenso:
a) 4.572
b) 18.309
c) 250.040
d) 1.006.500
e) 73.020.001
2- Escreva na forma numérica (com algarismos):
a) Treze mil duzentos e quarenta e sete
b) Cento e cinco mil e oitenta
c) Dois milhões trezentos e quarenta mil
d) Setecentos e nove mil quinhentos e doze
e) Quarenta milhões cento e dois mil e três
4- Leia os números abaixo e marque a alternativa que apresenta a leitura correta:
a) 40.007
( ) quarenta mil e setenta
( ) quarenta mil e sete
( ) quatro mil e sete
b) 1.300.200
( ) um milhão e trezentos mil e duzentos
( ) um milhão trezentos mil e duzentos
( ) treze milhões e duzentos
c) 500.060
( ) quinhentos mil e sessenta
( ) cinquenta mil e sessenta
( ) quinhentos e sessenta mil
4- No número 7.385.241, qual é o valor posicional (valor relativo) do algarismo:
a) 7
b) 3
c) 8
d) 2
e) 4
5- Observe o número 962.014 e responda:
a) Qual algarismo ocupa a ordem das dezenas de milhar?
b) Qual é o valor posicional do algarismo 9?
c) Quantas ordens esse número possui?
d) A qual classe pertence o algarismo 2?
6- Qual é o número formado quando o algarismo 5 ocupa a ordem da centena de milhar, o algarismo 3 ocupa a ordem da unidade de milhar, o algarismo 8 ocupa a ordem da centena, o algarismo 1 ocupa a ordem da dezena e os demais algarismos são 0?
7-Decomponha os números abaixo conforme o exemplo.
Exemplo: 3.456 = 3.000 + 400 + 50 + 6
a) 8.274
b) 15.603
c) 240.090
d) 1.050.007
8- Escreva o número correspondente a cada decomposição:
a) 40.000 + 7.000 + 200 + 10 + 5
b) 600.000 + 3.000 + 80
c) 5.000.000 + 90.000 + 400 + 1
d) 300.000 + 20.000 + 8.000 + 50 + 3
9- O IBGE registrou que uma cidade tem 1.408.072 habitantes. Escreva esse número por extenso e identifique o valor posicional do algarismo 4.
10- Em uma campanha de arrecadação, a escola conseguiu reunir cento e vinte e três mil quinhentas e oito tampinhas. Escreva esse número usando algarismos e decomponha-o.
11- Pedro leu em uma notícia que o estádio recebeu 56.302 torcedores. Ele escreveu por extenso assim: “cinquenta e seis mil trezentos e vinte”. Pedro acertou? Se não, escreva a forma correta.
12- A distância entre duas cidades é de 2.040 km. Mariana escreveu esse número decomposto como 2.000 + 400 + 0. Ela acertou? Justifique e, se necessário, corrija a decomposição.
Conclusão
Leitura e escrita de números é um daqueles conteúdos que precisa de prática constante. Não adianta explicar uma vez e seguir em frente. A boa notícia é que, com as estratégias certas e exercícios bem elaborados, os alunos avançam rápido.
Use as atividades deste material na rotina da sala de aula e observe a evolução da turma. Se ficou com alguma dúvida ou quer sugerir outros temas, deixe um comentário abaixo.
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