
A disciplina de Artes é fundamental para o desenvolvimento da criatividade, da sensibilidade e da expressão dos estudantes.
Por meio de diferentes linguagens artísticas, os alunos ampliam a percepção do mundo, fortalecem a identidade cultural e desenvolvem habilidades socioemocionais. Combinado ao plano de aula de dança, as aulas ficam ainda mais ricas.
A seguir, confira 7 planos de aula de Artes que podem ser aplicados em diferentes etapas da educação básica.
Veja os 7 Planos de aula de artes
Plano 1: O Autorretrato Expressivo
Linguagem Artística (BNCC): Artes Visuais
Público-Alvo Sugerido: Ensino Fundamental II (6º ao 9º ano)
Duração: 2 aulas de 50 minutos
| Categoria | Detalhes |
| Objetivos Gerais | 1. Explorar a autoexpressão através da cor e da linha. 2. Desenvolver a percepção das próprias emoções. 3. Compreender o autorretrato como gênero artístico e ferramenta de autoconhecimento. |
| Conteúdos | Autorretrato, Linha (contorno e expressiva), Cor (simbolismo e psicologia), Proporção facial básica. |
| Materiais | Papel A3 ou A4, Lápis, Borracha, Materiais coloridos variados (giz de cera, lápis de cor, canetas hidrográficas, tintas). |
Metodologia (Passo a Passo)
1.Introdução (15 min): Apresentar exemplos de autorretratos expressivos (ex: Frida Kahlo, Van Gogh, Egon Schiele). Discutir: “O que o artista estava sentindo?” e “Como as cores e linhas transmitem essa emoção?”.
2.Exploração Emocional (15 min): Pedir aos alunos que fechem os olhos por um minuto e pensem em uma emoção forte que sentiram recentemente (alegria, raiva, calma, confusão). Eles devem escolher uma cor e um tipo de linha (curva, reta, agitada, suave) que represente essa emoção.
3.Esboço e Estrutura (30 min): Orientar o esboço básico do rosto. Enfatizar que a semelhança não é o objetivo principal, mas sim a expressão.
4.Expressão com Cor e Linha (50 min): Os alunos preenchem o autorretrato, utilizando as cores e linhas escolhidas para exagerar ou distorcer a imagem, de modo a expressar a emoção selecionada.
5.Compartilhamento (20 min): Roda de conversa. Cada aluno compartilha (se sentir confortável) a emoção escolhida e como usou os elementos visuais para expressá-la, sem a necessidade de revelar o retrato.
Avaliação
Observar a capacidade do aluno de utilizar os elementos visuais (cor e linha) de forma intencional para expressar uma emoção.
Adaptações
•Ensino Fundamental I: Focar apenas na cor e na forma abstrata para representar a emoção, sem a necessidade de um retrato figurativo.
•Ensino Médio: Adicionar a pesquisa sobre um artista específico e a incorporação de seu estilo no próprio autorretrato.
Plano 2: Esculturas de Objetos Encontrados (Arte Povera)
Linguagem Artística (BNCC): Artes Visuais
Público-Alvo Sugerido: Ensino Fundamental II e Médio
Duração: 3 aulas de 50 minutos
| Categoria | Detalhes |
| Objetivos Gerais | 1. Estimular a criatividade através da ressignificação de materiais descartados. 2. Desenvolver o pensamento tridimensional e a capacidade de construir formas. 3. Promover a conscientização sobre o consumo e o descarte (sustentabilidade). |
| Conteúdos | Escultura, Arte Povera, Assemblage, Textura, Volume. |
| Materiais | Materiais recicláveis e objetos encontrados (papelão, plástico, tampas, arames, tecidos, etc.), Cola quente (com supervisão), Fita adesiva, Tesoura. |
Metodologia (Passo a Passo)
1.Introdução (20 min): Apresentar o movimento Arte Povera e a ideia de “objetos encontrados” (ready-made). Discutir como o valor artístico pode ser atribuído a materiais simples.
2.Coleta e Seleção (30 min – TPC): Pedir aos alunos que tragam de casa uma sacola de objetos que seriam descartados. Em sala, eles devem selecionar os materiais, pensando em suas formas, texturas e possibilidades de conexão.
3.Planejamento (30 min): Os alunos devem esboçar a ideia da escultura, definindo o que ela representará (pode ser um ser vivo, um objeto imaginário, ou uma forma abstrata) e como os materiais serão unidos.
4.Construção (70 min): Momento de construção. Enfatizar a importância da experimentação e da solução de problemas (como fixar materiais diferentes).
5.Exposição e Crítica (50 min): Montar uma exposição das esculturas. Cada aluno apresenta sua obra, explicando o conceito e o porquê da escolha dos materiais.
Avaliação
Avaliar a originalidade da solução plástica, a qualidade da construção e a capacidade de ressignificar os materiais.
Plano 3: O Corpo como Narrativa
Linguagem Artística (BNCC): Dança
Público-Alvo Sugerido: Ensino Fundamental II
Duração: 2 aulas de 50 minutos
| Categoria | Detalhes |
| Objetivos Gerais | 1. Desenvolver a expressão corporal e a comunicação não-verbal. 2. Estimular a improvisação e a criação coreográfica espontânea. 3. Explorar a relação entre emoção, movimento e espaço. |
| Conteúdos | Improvisação em Dança, Elementos do Movimento (Tempo, Peso, Espaço, Fluxo), Expressão Corporal. |
| Materiais | Espaço amplo e seguro, Aparelho de som, Músicas instrumentais variadas (com ritmos e humores distintos). |
Metodologia (Passo a Passo)
1.Aquecimento e Consciência Corporal (20 min): Exercícios de alongamento e relaxamento. Focar na respiração e na percepção das articulações.
2.Exploração dos Elementos (30 min): O professor propõe comandos para explorar os elementos do movimento: “Movam-se lentamente”, “Movam-se com peso”, “Usem todo o espaço”, “Movam-se com um fluxo interrompido”.
3.A Narrativa (30 min): Dividir a turma em pequenos grupos (3-4 alunos). Cada grupo recebe um tema simples (ex: “O Encontro”, “A Espera”, “A Fuga”). Eles devem criar uma pequena sequência de movimentos (1 minuto) que conte essa história sem usar palavras.
4.Improvisação Guiada (20 min): Tocar uma música instrumental. Pedir aos alunos que, individualmente, expressem através do movimento o que a música lhes faz sentir.
5.Apresentação e Feedback (20 min): Os grupos apresentam suas narrativas. O feedback deve focar na clareza da expressão e na criatividade dos movimentos.
Avaliação
Observar a participação, a capacidade de improvisação e a coerência da narrativa corporal criada pelo grupo.
Plano 4: Criando Paisagens Sonoras
Linguagem Artística (BNCC): Música
Público-Alvo Sugerido: Ensino Fundamental I e II
Duração: 2 aulas de 50 minutos
| Categoria | Detalhes |
| Objetivos Gerais | 1. Desenvolver a escuta ativa e a percepção sonora. 2. Estimular a composição musical coletiva e a criatividade na produção de sons. 3. Compreender a música como representação de ambientes e emoções. |
| Conteúdos | Timbre, Intensidade, Duração, Altura, Composição Coletiva, Música Concreta. |
| Materiais | Instrumentos musicais convencionais (se disponíveis), Objetos do cotidiano (chaves, potes, papel, água), Gravador de áudio (celular ou gravador simples). |
Metodologia (Passo a Passo)
1.Introdução (15 min): Apresentar o conceito de “Paisagem Sonora” (Soundscape). Ouvir exemplos de paisagens sonoras (ex: uma floresta, uma cidade movimentada) e discutir os sons que as compõem.
2.Exploração de Timbres (25 min): Dividir os alunos em grupos. Cada grupo recebe ou coleta objetos. Eles devem explorar as diferentes formas de produzir som com esses objetos (bater, raspar, soprar, chacoalhar) e classificar os timbres.
3.Planejamento da Paisagem (30 min): Cada grupo escolhe um ambiente (ex: “Uma manhã chuvosa”, “Um mercado agitado”, “O espaço sideral”). Eles devem planejar quais sons serão usados, a ordem de entrada (duração) e o volume (intensidade) de cada som.
4.Ensaio e Gravação (25 min): Os grupos ensaiam a execução da sua paisagem sonora. O professor pode gravar a performance para análise posterior.
5.Apresentação e Análise (25 min): Apresentar as paisagens sonoras. O restante da turma tenta adivinhar o ambiente representado. Discutir a eficácia da composição.
Avaliação
Avaliar a capacidade de organização dos sons (estrutura da composição) e a criatividade na utilização dos objetos para criar timbres específicos.
Plano 5: Teatro Fórum: Expressão e Transformação Social
Linguagem Artística (BNCC): Teatro
Público-Alvo Sugerido: Ensino Médio
Duração: 4 aulas de 50 minutos
| Categoria | Detalhes |
| Objetivos Gerais | 1. Desenvolver a expressão cênica e a capacidade de improvisação. 2. Estimular o pensamento crítico sobre problemas sociais. 3. Promover a participação ativa e a busca por soluções coletivas (Teatro do Oprimido). |
| Conteúdos | Teatro do Oprimido (Augusto Boal), Teatro Fórum, Improvisação, Expressão Vocal e Corporal. |
| Materiais | Espaço amplo, Cadeiras para a plateia. |
Metodologia (Passo a Passo)
1.Introdução (50 min): Apresentar o conceito de Teatro do Oprimido e o Teatro Fórum. Discutir a ideia de que o teatro pode ser um ensaio para a revolução social.
2.Escolha do Tema (50 min): A turma, em conjunto, escolhe um problema social ou escolar que gostariam de discutir (ex: bullying, pressão por notas, desrespeito).
3.Criação da Cena (50 min): Dividir a turma em grupos. Cada grupo cria uma cena curta (3-5 minutos) que apresente o problema, mas que termine em um fracasso para o protagonista (o oprimido).
4.Ensaio e Preparação (50 min): Os grupos ensaiam, focando na clareza da situação e na expressão dos sentimentos dos personagens.
5.O Fórum (50 min): As cenas são apresentadas. Após a primeira apresentação, o “Coringa” (professor ou aluno mediador) convida a plateia a intervir. A cena é repetida, e a plateia pode gritar “Stop!” e substituir o protagonista para tentar uma solução diferente. O foco é na expressão da mudança.
Avaliação
Avaliar a capacidade de expressão dos conflitos na cena e a qualidade das intervenções da plateia, demonstrando pensamento crítico e criatividade na busca por soluções.
Plano 6: Sinestesia: Pintando o Som
Linguagem Artística (BNCC): Interdisciplinar (Artes Visuais e Música)
Público-Alvo Sugerido: Ensino Fundamental II e Médio
Duração: 2 aulas de 50 minutos
| Categoria | Detalhes |
| Objetivos Gerais | 1. Explorar a sinestesia (associação de sentidos) como forma de expressão criativa. 2. Desenvolver a capacidade de traduzir estímulos auditivos em visuais. 3. Estimular a abstração e a livre-expressão. |
| Conteúdos | Sinestesia, Abstração, Cor (temperatura e peso), Ritmo Visual. |
| Materiais | Papel grande (A3 ou maior), Tintas (guache ou acrílica) de cores variadas, Pincéis de diferentes tamanhos, Aparelho de som. |
Metodologia (Passo a Passo)
1.Introdução (15 min): Apresentar o conceito de sinestesia e exemplos de artistas que exploraram a relação entre som e cor (ex: Kandinsky). Discutir: “Que cor tem um som grave? E um som agudo?”.
2.Aquecimento Sinestésico (15 min): Tocar trechos curtos de músicas muito diferentes (clássica agitada, jazz suave, rock pesado). Pedir aos alunos que façam um “esboço” rápido no papel, usando apenas linhas e cores, para cada trecho.
3.A Obra Principal (60 min): Tocar uma única peça musical instrumental (com cerca de 5-7 minutos de duração e variações de ritmo e intensidade). Os alunos devem pintar o que a música “diz” ou “pede”, deixando a mão ser guiada pelo som. O foco é no processo e na expressão imediata.
4.Análise e Comparação (30 min): Expor as obras. Tocar a música novamente. Os alunos comparam suas pinturas, observando como o mesmo estímulo sonoro gerou expressões visuais distintas.
Avaliação
Avaliar a fluidez da expressão e a capacidade de traduzir as variações musicais (ritmo, intensidade, altura) em variações visuais (cor, linha, forma).
Plano 7: Máscara e Movimento
Linguagem Artística (BNCC): Interdisciplinar (Dança e Teatro)
Público-Alvo Sugerido: Ensino Fundamental II e Médio
Duração: 3 aulas de 50 minutos
| Categoria | Detalhes |
| Objetivos Gerais | 1. Explorar a expressão corporal e a comunicação através da limitação (a máscara). 2. Desenvolver a capacidade de criar um personagem completo (gestos, postura, ritmo). 3. Estimular a criatividade na construção de adereços cênicos. |
| Conteúdos | Máscara Neutra e Expressiva, Mímica, Postura Cênica, Ritmo Corporal. |
| Materiais | Papelão, Jornal, Cola, Tinta (para a construção das máscaras), Elástico, Espaço amplo. |
Metodologia (Passo a Passo)
1.Construção da Máscara (50 min): Os alunos constroem uma máscara simples, que pode ser abstrata ou representar uma emoção/arquétipo (ex: raiva, alegria, timidez). A máscara deve cobrir o rosto, forçando a expressão a ser corporal.
2.Exploração do Personagem (50 min): Com as máscaras prontas, os alunos exploram o espaço. O professor propõe: “Como anda um personagem com essa máscara?”, “Qual é o ritmo dele?”, “Como ele se senta?”. O foco é na expressão corporal do personagem.
3.A Cena Silenciosa (50 min): Dividir a turma em duplas. Cada dupla cria uma cena curta (2 minutos) e silenciosa, onde os personagens mascarados interagem para realizar uma tarefa simples (ex: “Compartilhar um objeto”, “Tentar abrir uma porta”).
4.Apresentação e Análise (50 min): As duplas apresentam suas cenas. A plateia deve tentar adivinhar a emoção ou o objetivo do personagem apenas observando o movimento e a postura.
Avaliação
Avaliar a coerência entre a máscara e o movimento criado, e a capacidade do aluno de sustentar a expressão do personagem sem o uso da fala.
Conclusão: O Professor como Curador da Expressão
Estes 7 planos de aula são pontos de partida, ferramentas essenciais para o professor de Artes que deseja criar plano de aula de forma intencional, fomentando um ambiente de sala de aula onde a experimentação e a livre-expressão sejam a regra.
A verdadeira magia da arte na educação reside na capacidade do professor de atuar como um curador de experiências, guiando os alunos a descobrir suas próprias vozes e a traduzir seus mundos internos em formas visíveis, audíveis e corporais.
Lembre-se que a adaptação é a chave. Sinta-se à vontade para misturar as linguagens, ajustar os materiais à realidade da sua escola. Para o 3° ano, veja o plano de aula de Ensino Religioso. Ajuste e, acima de tudo, permitir que a criatividade dos seus alunos reescreva o plano a cada nova aula, utilizando estes materiais como modelos de planos de aula para baixar e adaptar conforme sua prática pedagógica.
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